Despertei para um dia revoltado, nubloso, pleno de turbulência. Como se hoje vivesse o destilar da raiva contida que me neguei durante anos tivesse finalmente desfeito o envase que a continha. Sinto uma urgência atroz em explodir. Fervilho. Sinto-me na fronteira da implosão total e pura. Em mim falta o espaço físico vital para conter as neblinas da raiva que investem em golfadas densas a minha estabilidade. Tudo me parece rigorosamente circunstancial. Casual... Hipoteticamente factual. A indiferença da realidade básica e primaria esfumou-se desintegrada em divergências incontornáveis. A clarividência da calma está passada, somente existe escrita em mim na agitação áspera de uma inquietação medieval.
Acabou o desengano. As respostas ausentes desenhadas no silêncio às questões que em meu peito soam mais pertinentes. A ilusão morreu. A esperança jaz moribunda algures no vazio do meu ser que já não me habita.
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