Olho o por de sol esbatido na minha sombra que se dissolve para leste, revendo nela um sentido de previsibilidade ao imprevisto. Começo a reconhecer sinais e padrões repetidos de forma monótona pela forma como as horas divagam sempre na ausência de novidades. Respiro, desconsiderando esta hipótese... Afinal... Que posso esperar de uma vida castrada por medicamentos... Estranho a forma como sinto a tristeza mas não a consigo demonstrar... Apenas choro em situações de tristeza acumulada... Mas os meus dias são passados numa solidão melancólica... Sinto a ausência e saudade mas sinto que tenho uma placa separa o sentir do meu corpo... Os sentimentos de infelicidade estão cá todos mas não saem do meu ser como se um filtro, de facto químico, me envolvesse... E na realidade sinto exactamente isso... Sinto que o meu cérebro toca em algo polposo... Como se fosse colocado numa redoma com um fluido qualquer... Nem liquido nem solido... Sinto essa diferença fortemente marcada em mim... No entanto a sensação de ansiedade e nervoso perduram, lineares no espaço... Tomando a panaceia pelas 05h30 da manhã pelas 10 já estou nervoso... Tento recuperar o controlo ora respirando ora envolvendo-me de tal forma no trabalho que nada sinto... Questiono-me se serei eu ou terei outro eu que comunica e interage com o meio envolvente. Por isso digo que os meus dias são iguais... Repetem-se as rotinas... As horas... Tudo é igual dia após dia mudando somente a roupa. Todos os gestos já quase mecânicamente se desenrolam sem necessidade de uma entidade viva que os controle ou pare repentinamente uma situação. Não tenho espontaneidade... Penso já não ser quem pensava ser em mim.
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