terça-feira, 1 de novembro de 2011

Folha

Apetece-me não me apetecer com mesma intensidade de querer nada querer. Apetece-me o querer ser uma folha de papel deixada ao sol abrasador do verão e ao humidade fria do Invernos... Sem vontade. Queda naquele lugar, sem utilidade, esquecida. Ou deliberadamente ignorada como se contesse uma ma noticia em mim... Limito-me nesta amorfa condição a contar, imóvel, o suspiro do tempo num ábaco imaginário onde faltam todas as argolas e as hastes onde estas deviam caminhar, há muito desapareceram... É possível imaginar a inutilidade de tal acção, mas o tempo é palpável, na breve eternidade de um sorriso, ou da alegria das pequenas coisas, que todos desdenhamos por as considerarmos obrigatórias, quando são simplesmente efemeras, duram por vezes uma fracção de segundo, mas, com um grande Mas... São esses instantes que se reflectem profundamente no nosso sentir... Nos somos simplesmente esquecidos mas eu... Na minha condição de simples folha, neste minimalismo, tudo observo, as expressões nas faces, as lágrimas contidas, as palavras nem sempre simpáticas ou os olhares carregados de esperança, com inveja observo, confesso de forma juramentada na minha honra. Mas no entanto, não deixo de ser uma simples folha, desgastada, descontextualizada onde tudo está escrito sobre mim.

2 comentários:

  1. Apetece-me ficar aqui consigo a devorar todos estes momentos só seus até agora... presumo!
    Ainda me atrevo a sentar-me ao seu lado e dizer-lhe ao ouvido, que a folha desgastada onde tudo está escrito não é meramente uma folha, mas uma frondosa árvore ou mesmo uma floresta.

    Aceite um beijo

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  2. Muito interessante a vida que deu a uma simples
    folha caída...
    Gostei de ler este post e de ter estado aqui.
    Voltarei.
    Saudações
    Irene

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