Neste primeiro entardecer outonal sinto, em todo o meu ser, um temor pelas palavras, pela escrita embriagada real, arrasadora e mutilante. Cresce em mim o pânico para onde ira seguir seu curso... Não as pretendo travar nem conter por tal impossível ser... Quero somente, que num instante de tempo imensurável, que fujam da minh'alma para esta virtualidade real que tento compor... Mas... Em mim corre uma espécie de fio que tudo controla e que o horror de voltar a relembrar alguns pensamentos que de mim se apoderaram durante estes dias... Mas sinto o odor da sua presença que lentamente a mim se assombra de forma nefasta e zombante. Relembro o uma frase que em mim travejou... "desaprendeste a viver"... Estas três palavras deixaram em mim um sentimento de queda a pique... Uma forma de morte lenta de uma vida... Ou... Não vives no presente, nem tens passado e não tens futuro... Um triptíco, onde sobre todas a eras do meu ser pintada foi com a densa tinta negra a realidade onde me encontro. Um limbo obscuro... O nada.... Onde "não é a vida que me desespera é a morte que me supera"... Depressivo? sem duvida, vitimizante? Que me importa, derrotista? Sim... E podia continuar... Sim... Sou tudo isso... Sou também os sonhos perdidos, o meu pai com cancro, alguém sem pilar ou bóia a que se agarrar, sem dinheiro sem vida própria, sem interesse, sem forca, sem o Querer que a tudo nos faz agarrar... Sinto que precisava de uma mãe, de um ombro, colo, conforto, de tudo... Que me prende? O meu Pai... Se ele luta eu não posso desistir apesar de me ver como uma folha amarelecida num remoinho que mais para baixo insiste puxar... Estou preso a esse simples fio tecido e a mim agarrado.. Gostava... Conseguir sair disto... Mas... Sinto que a única forma de a tudo isto sobreviver é matando definitivamente o Eu Mesmo... E encontrar em mim um outro eu de nada feito, mas que na sua diferença poderá ser a salvação do pouco que resta de mim.
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