Olhar vago e distante onde me escondo, incontáctavel por um rosto que exibe uma face que varia entre o fechada e o ausente. Escuto musica clássica sem ouvir apuradamente cada nota, ou saboreando qualquer passagem. Limito-te a abafar as palavras dos outros em notas que nao escuto mas que me servem o propósito... Fazer a viagem escrevinhando o que vai desaguando neste sentir, estancado de forma solta, num diccionario em branco onde, de um momento para o outro, salta uma que nos meus dedos termina digitada. Sobre nada escrevo em concreto... Ou sobre tudo queira escrever mas nada me surge. De uma forma caricata ate me agrada sobre nada falar... Talvez seja de tanto ouvir "que fazes" ou "nao fazes nada" seja porque motivo for até "para mudar"... O nada persegue-me... É de certa forma a minha sombra numa noite de lua nova... Já me contento com nada... Porque no nada existe tudo de mim.
No Interior da Minha Ausência
quinta-feira, 27 de junho de 2013
Dia
Apetece-me nao me apetecer com mesma intensidade de querer nada querer. Apetece-me o querer ser uma folha de papel deixada ao sol abrasador do verao e ao humidade fria do invernos... Sem vontade. Queda naquele lugar, sem utilidade, esquecida. Ou diliberadamente ignorada como se contesse uma ma noticia em mim... Limito-me nesta amorfa condicao a contar, imovel, o suspiro do tempo num abaco imaginario onde faltam todas as argolas e as hastes onde estas deviam caminhar, há muito despareceram... É possiviel imaginar a inutilidade de tal acÇao, mas o tempo é palpavel, na breve eternidade de um sorriso, ou da alegria das pequemas coisas, que todos desdenhamos por as considerarmos obrigatorias, quando sao simplesmente efemeras, duram por vezes uma fraccao de segundo, mas, com um grande Mas... Sao esses instantes que se refletem profundamente no nosso sentir... Nos somos simplesmente esquecidos mas eu... Na minha condicao de simples folha, neste minimalismo, tudo observo, as expressões nas faces, as lagrimas contidas, as palavras nem sempre simpaticas ou os olhares carregados de esperança, com inveja observo, confesso de forma juramentada na minha honra. Mas no entanto, nao deixo de ser uma simples folha, desgastada, descontextualizada onde tudo está escrito sobre mim.
Ausência
Tenho andado ausente... Esqueci-me do esquecimento que nas palavras encontro. Presente tenho a ideia de me não me esquecer do que não tenho para dizer... Fultuo em silêncio, esboçando um sorriso sofrego de alegria incerta.
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Folha
Apetece-me não me apetecer com mesma intensidade de querer nada querer. Apetece-me o querer ser uma folha de papel deixada ao sol abrasador do verão e ao humidade fria do Invernos... Sem vontade. Queda naquele lugar, sem utilidade, esquecida. Ou deliberadamente ignorada como se contesse uma ma noticia em mim... Limito-me nesta amorfa condição a contar, imóvel, o suspiro do tempo num ábaco imaginário onde faltam todas as argolas e as hastes onde estas deviam caminhar, há muito desapareceram... É possível imaginar a inutilidade de tal acção, mas o tempo é palpável, na breve eternidade de um sorriso, ou da alegria das pequenas coisas, que todos desdenhamos por as considerarmos obrigatórias, quando são simplesmente efemeras, duram por vezes uma fracção de segundo, mas, com um grande Mas... São esses instantes que se reflectem profundamente no nosso sentir... Nos somos simplesmente esquecidos mas eu... Na minha condição de simples folha, neste minimalismo, tudo observo, as expressões nas faces, as lágrimas contidas, as palavras nem sempre simpáticas ou os olhares carregados de esperança, com inveja observo, confesso de forma juramentada na minha honra. Mas no entanto, não deixo de ser uma simples folha, desgastada, descontextualizada onde tudo está escrito sobre mim.
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
Curta
Acordei para um dia que não queria despertar, onde todo o tempo fosse passada na existência do nada... A reviver o escuridão do meu existir inexistente. Quero o conforto desconfortável de nada pensar ou sentir mas, fatalidade inerente ao viver, leva-me a abrir os olhos que fechados deviam permanecer, a contra gosto tocados são pelo frio que circunda a minha face. Outonal existência onde assumo uma competição sem tréguas com as árvores pela queda das folhas que a cada sopro vão fazendo cair mias de mim... Questiono-me se perante tudo o que me vem caindo ao caminho não será a derradeira prova do destino em afirmar que nada posso fazer. Colocado fui num labirinto sem saídas onde os caminhos intransitáveis se tomam conforme vou avançando no desespero de uma salvação para tudo o que me corrói a alma. Receio tudo neste momento. Tento pensar positivamente nas coisas, nem sentimento de derrota. Tenho em mim agarrado o odor de uma vida perdida onde tento esquecer o passado, não me interessa o presente e nem planos tenho para o futuro. Posso afirmar que nada tenho que me orgulhe, anime ou me faça acreditar. Apenas o chamamento nocturno que na noite denso vive, clama para o desaparecimento no sono artificialmente induzido em mim.
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
Nada
Olhar vago e distante onde me escondo, incontáctavel por um rosto que exibe uma face que varia entre o fechada e o ausente. Escuto musica clássica sem ouvir apuradamente cada nota, ou saboreando qualquer passagem. Limito-te a abafar as palavras dos outros em notas que não escuto mas que me servem o propósito... Fazer a viagem escrevinhando o que vai desaguando neste sentir, estancado de forma solta, num diccionário em branco onde, de um momento para o outro, salta uma que nos meus dedos termina digitada. Sobre nada escrevo em concreto... Ou sobre tudo queira escrever mas nada me surge. De uma forma caricata ate me agrada sobre nada falar... Talvez seja de tanto ouvir "que fazes" ou "não fazes nada" seja porque motivo for até "para mudar"... O nada persegue-me... É de certa forma a minha sombra numa noite de lua nova... Já me contento com nada... Porque no nada existe tudo de mim.
Nota: O "Nada" nunca o É verdadeiramente, esconde no seu núcleo milhões de pequenos Tudos.
Cada um deve encontrar em Si, por Si, para Si o seu Todo no seu Nada!
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
Ser
Não sei ser.. Ou tão pouco não ser. Não considero tal como uma questão. Realidade... Quem sou eu? Que represento? Um numero? Uma identificação? ... Ser um ser... Representativo.. Bastava-me talvez essa visão... Bastava-me... Mas a sorte bastarda que me persegue impiedosamente e que sem remorsos insiste em tudo me retirar. A crueldade de dar para de pois tirar... Não gosto de acreditar em coincidências... Mas pelo caminho da minha vida vou encontrando sinais idênticos. Repetições de acontecimentos... Numa sequência tragicamente real. Desconheço o porquê... Mau presságio?... Enjeitado à nascença da felicidade? Por vezes penso que isto nada mais é que um pesadelo ou uma vivência sofrida fruto de um comatoso estado onde a fina linha de actividade neuronal que à vida me prende apenas consegue a infelicidade de ter encontrado uma felicidade a um fim inglório condenada... Ou que nas múltiplas realidades paralelas matematicamente possíveis eu sou o extremo negativos de todos os meus restantes eus. Seria bom assim pensar... Mas qual a necessidade de uma questão? Que me leva a questionar o motivo da minha existência... Para quê existo? Que mais valia adiciono? Tento justificar perante este Eu Mesmo todas as possibilidades.. Encontrar motivos para ser.. Para existir... Não me vejo a salvar o mundo ou encontrar a cura para todas as doenças ou acabar com a fome... Gostava mas nem quero... Não ambiciono a gloria ou fama. Dinheiro? Apenas o suficiente para uma vida confortável mas sem possibilidades e exageros. Que quero Eu Mesmo. Quero apenas encontrar felicidade... Encontrar alguém que consiga também sonhar... Que queira partilhar um sorriso... Quero... Quero a cura do meu pai cuja doença esta ainda no inicio do novo ciclo... Estou cansado. Nada em mim tenho... Nem vontade... Penso na possibilidade de um ser um mero fantoche preso aos cordames de algo. Vejo esta estrada que percorro nos movimentos... Acordar... Tomar banho... Vestir-me... Etc... Ate chegar novamente a deitar os meu restos sobre a cama aguardando que esta noite seja um longo vazio em mim.
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Esquecer
A chuva desceu à cidade de forma determinada, sem nada reter em si que sua vontade estava retido. Ilumina a realidade com o seu húmido murmúrio, sem olhar a quem ou ao quê, com a indifrença de já ter assumido uma soberania acima da sua física condição. Nada lhe escapa... No cenário de fundo ecoa em mim com uma intensidade anormal. Não a vejo como real nem como imaginaria... Vive num meridiano apenas onde Eu Mesmo consigo coexistir. Páro... Penso... Alegro-me com o facto da reflexão da luz sobre as já numerosas poças, não permitam que me veja a mim mesmo, evitando-me... Cansam-me já os comentários típicos "estás com bom aspecto estás" ou "epá esqueceram-se de tapar a tua cova?" ou ainda de um gracejo sinistro na forma de alcunha "Zé Caixão"... Relembro uma máxima... Uma pessoa forte quando está na merda todos o pisam"... Bom ver... Melhor ainda ouvir... Reconhecer a sensibilidade hipócrita de quem sabendo o todo que me consome ainda tem o prazer mórbido de zombar com elevada felicidade... Interessante como as pessoas se reduzem a isso... A serem mesquinhas, tirarem prazer do sobreviver de alguém que se arrasta em agonia para um fim... Mas... Essa linha media que tanto estimo, guarda o segredo de incidir somente sobre mim, conseguindo viver entre os Meu sonhos e a perturbante presença da realidade que me mantém num estado vigil que me assombra todos os sentidos... Pontualmente este antagónico viver torna-se magico visto as petreas muralhas que as delimitam tornam se difusas primeiro para serem apenas inexistentes. E nessa altura... Nesse simples momento, que uma pequena fracção do tempo vivido dura, sinto-me pleno, completo. Consigo tudo esquecer... Todos os "ques", "ses", criticas, problemas, frustração consigo esquecer. Sinto o calor reconfortante, maternal... A minha identidade mostra-se perante mim. Nessa altura sou real não o sendo. Nessa altura eu Sou Tudo o que existe em mim.
terça-feira, 25 de outubro de 2011
Saudade
Diz-se com orgulho, nos quatro cantos deste esferoidal mundo que a saudade é um sentir típica e calorosamente Português. Assumimos com uma honra incontida que apenas a nós esse sentir pertence. Somos donos incontestáveis... Tecemo-la no fluir de um fado triste sobre algo ou alguém, num timbre de voz rouco, gutural, primário. Como se cada palavra viesse do mais profundo da alma onde a tristeza, a magoa... O Todo que o consome e destrói... Usamos boas frases carregadas de melancolia como "tudo isto existe tudo isto é triste tudo isto é fado"... Mas dentro da palavra saudade, cujo o vestido da definição parece sempre nunca assentar correctamente, existe A Saudade. A saudade de mim. Essa não se compõe numa musica, não se pinta numa tela, não se desenha... As palavras surgem-me sempre parcas, limitadas e limitantes. Vejo-as como polvilhadas de um sabor profano, como contaminadas pela fraqueza do que tento sobre elas edificar. O escrever torna-se ridículo mas, numa auto flagelação do meu ser, tento em vão criar algo que faça sentido na cacofonia que as palavras traduzem... Pecaminosas tiram a grandeza ao sentir que nelas quero traduzir... O Sentir... Mesmo que em mim nada feliz neste momento me preencha, parece-me fácil esse sentido... Mas tenho saudades de rir, de sorrir, de colo, do conforto maternal, do tempo de criança, do tempo em que não tinha problemas uns atrás dos outros... Em que encontrava sentido para cada dia passado, presente e ao mesmo tempo vislumbrar o futuro, tomando-os como a novidade de que me estava garantida a cada dia. Hoje está garantida apenas a cegueira de tudo o que vislumbro em mim.
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Temo
Neste primeiro entardecer outonal sinto, em todo o meu ser, um temor pelas palavras, pela escrita embriagada real, arrasadora e mutilante. Cresce em mim o pânico para onde ira seguir seu curso... Não as pretendo travar nem conter por tal impossível ser... Quero somente, que num instante de tempo imensurável, que fujam da minh'alma para esta virtualidade real que tento compor... Mas... Em mim corre uma espécie de fio que tudo controla e que o horror de voltar a relembrar alguns pensamentos que de mim se apoderaram durante estes dias... Mas sinto o odor da sua presença que lentamente a mim se assombra de forma nefasta e zombante. Relembro o uma frase que em mim travejou... "desaprendeste a viver"... Estas três palavras deixaram em mim um sentimento de queda a pique... Uma forma de morte lenta de uma vida... Ou... Não vives no presente, nem tens passado e não tens futuro... Um triptíco, onde sobre todas a eras do meu ser pintada foi com a densa tinta negra a realidade onde me encontro. Um limbo obscuro... O nada.... Onde "não é a vida que me desespera é a morte que me supera"... Depressivo? sem duvida, vitimizante? Que me importa, derrotista? Sim... E podia continuar... Sim... Sou tudo isso... Sou também os sonhos perdidos, o meu pai com cancro, alguém sem pilar ou bóia a que se agarrar, sem dinheiro sem vida própria, sem interesse, sem forca, sem o Querer que a tudo nos faz agarrar... Sinto que precisava de uma mãe, de um ombro, colo, conforto, de tudo... Que me prende? O meu Pai... Se ele luta eu não posso desistir apesar de me ver como uma folha amarelecida num remoinho que mais para baixo insiste puxar... Estou preso a esse simples fio tecido e a mim agarrado.. Gostava... Conseguir sair disto... Mas... Sinto que a única forma de a tudo isto sobreviver é matando definitivamente o Eu Mesmo... E encontrar em mim um outro eu de nada feito, mas que na sua diferença poderá ser a salvação do pouco que resta de mim.
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