terça-feira, 1 de novembro de 2011

Folha

Apetece-me não me apetecer com mesma intensidade de querer nada querer. Apetece-me o querer ser uma folha de papel deixada ao sol abrasador do verão e ao humidade fria do Invernos... Sem vontade. Queda naquele lugar, sem utilidade, esquecida. Ou deliberadamente ignorada como se contesse uma ma noticia em mim... Limito-me nesta amorfa condição a contar, imóvel, o suspiro do tempo num ábaco imaginário onde faltam todas as argolas e as hastes onde estas deviam caminhar, há muito desapareceram... É possível imaginar a inutilidade de tal acção, mas o tempo é palpável, na breve eternidade de um sorriso, ou da alegria das pequenas coisas, que todos desdenhamos por as considerarmos obrigatórias, quando são simplesmente efemeras, duram por vezes uma fracção de segundo, mas, com um grande Mas... São esses instantes que se reflectem profundamente no nosso sentir... Nos somos simplesmente esquecidos mas eu... Na minha condição de simples folha, neste minimalismo, tudo observo, as expressões nas faces, as lágrimas contidas, as palavras nem sempre simpáticas ou os olhares carregados de esperança, com inveja observo, confesso de forma juramentada na minha honra. Mas no entanto, não deixo de ser uma simples folha, desgastada, descontextualizada onde tudo está escrito sobre mim.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Curta

Acordei para um dia que não queria despertar, onde todo o tempo fosse passada na existência do nada... A reviver o escuridão do meu existir inexistente. Quero o conforto desconfortável de nada pensar ou sentir mas, fatalidade inerente ao viver, leva-me a abrir os olhos que fechados deviam permanecer, a contra gosto tocados são pelo frio que circunda a minha face. Outonal existência onde assumo uma competição sem tréguas com as árvores pela queda das folhas que a cada sopro vão fazendo cair mias de mim... Questiono-me se perante tudo o que me vem caindo ao caminho não será a derradeira prova do destino em afirmar que nada posso fazer. Colocado fui num labirinto sem saídas onde os caminhos intransitáveis se tomam conforme vou avançando no desespero de uma salvação para tudo o que me corrói a alma. Receio tudo neste momento. Tento pensar positivamente nas coisas, nem sentimento de derrota. Tenho em mim agarrado o odor de uma vida perdida onde tento esquecer o passado, não me interessa o presente e nem planos tenho para o futuro. Posso afirmar que nada tenho que me orgulhe, anime ou me faça acreditar. Apenas o chamamento nocturno que na noite denso vive, clama para o desaparecimento no sono artificialmente induzido em mim.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Nada

Olhar vago e distante onde me escondo, incontáctavel por um rosto que exibe uma face que varia entre o fechada e o ausente. Escuto musica clássica sem ouvir  apuradamente cada nota, ou saboreando qualquer passagem. Limito-te a abafar as palavras dos outros em notas que não escuto mas que me servem o propósito... Fazer a viagem escrevinhando o que vai desaguando neste sentir, estancado de forma solta, num diccionário em branco onde, de um momento para o outro, salta uma que nos meus dedos termina digitada. Sobre nada escrevo em concreto... Ou sobre tudo queira escrever mas nada me surge. De uma forma caricata ate me agrada sobre nada falar... Talvez seja de tanto ouvir "que fazes" ou "não fazes nada" seja porque motivo for até "para mudar"... O nada persegue-me... É de certa forma a minha sombra numa noite de lua nova... Já me contento com nada... Porque no nada existe tudo de mim.

Nota: O "Nada" nunca o É verdadeiramente, esconde no seu núcleo milhões de pequenos Tudos.
Cada um deve encontrar em Si, por Si, para Si o seu Todo no seu Nada!

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Ser

Não sei ser.. Ou tão pouco não ser. Não considero tal como uma questão. Realidade... Quem sou eu? Que represento? Um numero? Uma identificação? ... Ser um ser... Representativo.. Bastava-me talvez essa visão... Bastava-me... Mas a sorte bastarda que me persegue impiedosamente e que sem remorsos insiste em tudo me retirar. A crueldade de dar para de pois tirar... Não gosto de acreditar em coincidências... Mas pelo caminho da minha vida vou encontrando sinais idênticos. Repetições de acontecimentos... Numa sequência tragicamente real. Desconheço o porquê... Mau presságio?... Enjeitado à nascença da felicidade? Por vezes penso que isto nada mais é  que um pesadelo ou uma vivência sofrida fruto de um comatoso estado onde a fina linha de actividade neuronal que à vida me prende apenas consegue a infelicidade de ter encontrado uma felicidade a um fim inglório condenada...  Ou que nas múltiplas realidades paralelas matematicamente possíveis eu sou o extremo negativos de todos os meus restantes eus. Seria bom assim pensar... Mas qual a necessidade de uma  questão? Que me leva a questionar o motivo da minha existência... Para quê existo? Que mais valia adiciono? Tento justificar perante este Eu Mesmo todas as possibilidades.. Encontrar motivos para ser.. Para existir... Não me vejo a salvar o mundo ou encontrar a cura para todas as doenças ou acabar com a fome... Gostava mas nem quero... Não ambiciono a gloria ou fama. Dinheiro? Apenas o suficiente para uma vida confortável mas sem possibilidades e exageros. Que quero Eu Mesmo. Quero apenas encontrar felicidade... Encontrar alguém que consiga também sonhar... Que queira partilhar um sorriso... Quero... Quero a cura do meu pai cuja doença esta ainda no inicio do novo ciclo... Estou cansado. Nada em mim tenho... Nem vontade... Penso na possibilidade de um ser um mero fantoche preso aos cordames de algo. Vejo esta estrada que percorro nos movimentos... Acordar... Tomar banho... Vestir-me... Etc... Ate chegar novamente a deitar os meu restos sobre a cama aguardando que esta noite seja um longo vazio em mim. 

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Esquecer

A chuva desceu à cidade de forma determinada, sem nada reter em si que sua vontade estava retido. Ilumina a realidade com o seu húmido murmúrio, sem olhar a quem ou ao quê, com a  indifrença de já ter assumido uma soberania acima da sua física condição. Nada lhe escapa... No cenário de fundo ecoa em mim com uma intensidade anormal. Não a vejo como real nem como imaginaria... Vive num meridiano apenas onde Eu Mesmo consigo coexistir. Páro... Penso... Alegro-me com o facto da reflexão da luz sobre as já numerosas poças, não permitam que me veja a mim mesmo, evitando-me... Cansam-me já os comentários típicos "estás com bom aspecto estás" ou "epá esqueceram-se de tapar a tua cova?" ou ainda de um gracejo sinistro na forma de alcunha "Zé Caixão"... Relembro uma máxima... Uma pessoa forte quando está na merda todos o pisam"... Bom ver... Melhor ainda ouvir... Reconhecer a sensibilidade hipócrita de quem sabendo o todo que me consome ainda tem o prazer mórbido de zombar com elevada felicidade... Interessante como as pessoas se reduzem a isso... A serem mesquinhas, tirarem prazer do sobreviver de alguém que se arrasta em agonia para um fim... Mas... Essa linha media que tanto estimo, guarda o segredo de incidir somente sobre mim,  conseguindo viver entre os Meu sonhos e a perturbante presença da realidade que me mantém num estado vigil que me assombra todos os sentidos... Pontualmente este antagónico viver torna-se magico visto as petreas muralhas que as delimitam tornam se difusas primeiro para serem apenas inexistentes. E nessa altura... Nesse simples momento, que uma pequena fracção do tempo vivido dura, sinto-me pleno, completo. Consigo tudo esquecer... Todos os "ques",  "ses", criticas, problemas, frustração consigo esquecer. Sinto o calor reconfortante, maternal... A minha identidade mostra-se perante mim. Nessa altura sou real não o sendo. Nessa altura eu Sou Tudo o que existe em mim.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Saudade

Diz-se com orgulho, nos quatro cantos deste esferoidal mundo que a saudade é um sentir típica e calorosamente Português. Assumimos com uma honra incontida que apenas a nós esse sentir pertence. Somos donos incontestáveis... Tecemo-la no fluir de um fado triste sobre algo ou alguém, num timbre de voz rouco, gutural, primário. Como se cada palavra viesse do mais profundo da alma onde a tristeza, a magoa... O Todo que  o consome e destrói... Usamos boas frases carregadas de melancolia como "tudo isto existe tudo isto é triste tudo isto é fado"... Mas dentro da palavra saudade, cujo o vestido da definição parece sempre nunca assentar correctamente, existe A Saudade. A saudade de mim. Essa não se compõe numa musica, não se pinta numa tela, não se desenha... As palavras surgem-me sempre parcas, limitadas e limitantes. Vejo-as como polvilhadas de um sabor profano, como contaminadas pela fraqueza do que tento sobre elas edificar.  O escrever torna-se ridículo mas, numa auto flagelação do meu ser, tento em vão criar algo que faça sentido na cacofonia que as palavras traduzem... Pecaminosas tiram a grandeza ao sentir que nelas quero traduzir... O Sentir... Mesmo que em mim nada feliz neste momento me preencha, parece-me fácil esse sentido... Mas tenho saudades de rir, de sorrir, de colo, do conforto maternal, do tempo de criança, do tempo em que não tinha problemas uns atrás dos outros... Em que encontrava sentido para cada dia passado, presente e ao mesmo tempo vislumbrar o futuro, tomando-os como a novidade de que me estava garantida a cada dia. Hoje está garantida apenas a cegueira de tudo o que vislumbro em mim.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Temo

Neste primeiro entardecer outonal sinto, em todo o meu ser, um temor pelas palavras, pela escrita embriagada real, arrasadora e mutilante. Cresce em mim o pânico para onde ira seguir seu curso... Não as pretendo travar nem conter por tal impossível ser... Quero somente, que num instante de tempo imensurável, que fujam da minh'alma para esta virtualidade real que tento compor... Mas... Em mim corre uma espécie de fio que tudo controla e que o horror de voltar a relembrar alguns pensamentos que de mim se apoderaram durante estes dias... Mas sinto o odor da sua presença que lentamente a mim se assombra de forma nefasta e zombante. Relembro o uma frase que em mim travejou... "desaprendeste a viver"... Estas três palavras deixaram em mim um sentimento de queda a pique... Uma forma de morte lenta de uma vida... Ou... Não vives no presente, nem tens passado e não tens futuro... Um triptíco, onde sobre todas a eras do meu ser pintada foi com a densa tinta negra a realidade onde me encontro. Um limbo obscuro... O nada.... Onde "não é a vida que me desespera é a morte que me supera"... Depressivo? sem duvida, vitimizante? Que me importa, derrotista? Sim... E podia continuar... Sim... Sou tudo isso... Sou também os sonhos perdidos, o meu pai com cancro, alguém sem pilar ou bóia a que se agarrar, sem dinheiro sem vida própria, sem interesse, sem forca, sem o Querer que a tudo nos faz agarrar... Sinto que precisava de uma mãe, de um ombro, colo, conforto, de tudo... Que me prende? O meu Pai... Se ele luta eu não posso desistir apesar de me ver como uma folha amarelecida num remoinho que mais para baixo insiste puxar... Estou preso a esse simples fio tecido e a mim agarrado.. Gostava... Conseguir sair disto... Mas... Sinto que a única forma de a tudo isto sobreviver é matando definitivamente o Eu Mesmo... E encontrar em mim um outro eu de nada feito, mas que na sua diferença poderá ser a salvação do pouco que resta de mim.

domingo, 23 de outubro de 2011

Trapézio

Sou um artista neste circo onde vivo. Um destemido, mas reservado trapezista. Arrisco todos os meus dias nesta caminhada que, assente num fio de arame fino, se estende num trapézio a que chamo viver... Trapézio sem rede, sem a protecção de um destino ou o conforto de um futuro com se possa sonhar. A cada passada mais esquecido fica no meu espírito esse verbo que, noutros tempos, elevava bem alto qual estandarte que nos honra. Somente estou cinicamente vivo... O meu coração bate num compasso descompassado, respiro de forma irregularmente ligeira, penso de uma forma aleatória e caótica, sinto de forma tristemente nostálgica. Talvez seja esse o erro de Descartes e o erro do António Damásio ou, por muito que me desconsole o espírito o erro do Mestre Fernando, o Pessoa, no seu tudo merece a pena se alma não é pequena. Todo o meu sentir consome tudo o que a sua volta existe, qual buraco negro, de onde nada escapa... Será este pensar existir? Definitivamente não... Será este sentir um sinal de existência? Decididamente Não. Nesta realidade apenas sobreviva, desenhado num presente imprevisto, pintado nos tons fortes do inimaginável que vivo em mim.

sábado, 22 de outubro de 2011

Não sei ser.. Ou tão pouco não ser. Não considero tal como uma questão. Realidade... Quem sou eu? Que represento? Um numero? Uma identificação? ... Ser um ser... Representativo. Bastava-me talvez essa visão... Bastava-me... Mas a sorte bastarda que me persegue impiedosamente e que sem remorsos insiste em tudo me retirar. A crueldade de dar para de pois tirar... Não gosto de acreditar em coincidências... Mas pelo caminho da minha vida vou encontrando sinais idênticos. Repetições de acontecimentos... Numa sequência tragicamente real. Desconheço o porquê... Mau presságio?... Enjeitado à nascença da felicidade? Por vezes penso que isto nada mais é  que um pesadelo ou uma vivência sofrida fruto de um comatoso estado onde a fina linha de actividade neuronal que à vida me prende apenas consegue a infelicidade de ter encontrado uma felicidade a um fim inglório condenada...  Ou que nas múltiplas realidades paralelas matematicamente possíveis eu sou o extremo negativos de todos os meus restantes eus. Seria bom assim pensar... Mas qual a necessidade de uma  questão? Que me leva a questionar o motivo da minha existência... Para quê existo? Que mais valia adiciono? Tento justificar perante este Eu Mesmo todas as possibilidades.. Encontrar motivos para ser.. Para existir... Não me vejo a salvar o mundo ou encontrar a cura para todas as doenças ou acabar com a fome... Gostava mas nem quero... Não ambiciono a gloria ou fama. Dinheiro? Apenas o suficiente para uma vida confortável mas sem possibilidades e exageros. Que que o Eu Mesmo. Quero apenas encontrar felicidade... Encontrar alguém que consiga também sonhar... Que queira partilhar um sorriso... Quero... Quero a cura do meu pai cuja doença esta ainda no inicio do novo ciclo... Estou cansado. Nada em mim tenho... Nem vontade... Penso na possibilidade de um ser um mero fantoche preso aos cordames de algo. Vejo esta estrada que percorro nos movimentos... Acordar... Tomar banho... Vestir-me... Etc... Ate chegar novamente a deitar os meu restos sobre a cama aguardando que esta noite seja um longo vazio em mim. 

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Mono(tono)

Olho o por de sol esbatido na minha sombra que se dissolve para leste, revendo nela um sentido de previsibilidade ao imprevisto. Começo a reconhecer sinais e padrões repetidos de forma monótona pela forma como as horas divagam sempre na ausência de  novidades. Respiro, desconsiderando esta hipótese... Afinal... Que posso esperar de uma vida castrada por medicamentos... Estranho a forma como sinto a tristeza mas não a consigo demonstrar... Apenas choro em situações de tristeza acumulada... Mas os meus dias são passados numa solidão  melancólica... Sinto a ausência e saudade mas sinto que tenho uma placa separa o sentir do meu corpo... Os sentimentos de infelicidade estão cá todos mas não saem do meu ser como se um filtro, de facto químico, me envolvesse... E na realidade sinto exactamente isso... Sinto que o meu cérebro toca em algo polposo... Como se fosse colocado numa redoma com um fluido qualquer... Nem liquido nem solido... Sinto essa diferença fortemente marcada em mim... No entanto a sensação de ansiedade e nervoso perduram, lineares no espaço... Tomando a panaceia pelas 05h30 da manhã pelas 10 já estou nervoso... Tento recuperar o controlo ora respirando ora envolvendo-me de tal forma no trabalho que nada sinto... Questiono-me se serei eu ou terei outro eu que comunica e interage com o meio envolvente. Por isso digo que os meus dias são iguais... Repetem-se as rotinas... As horas... Tudo é igual dia após dia mudando somente a roupa. Todos os gestos já quase mecânicamente se desenrolam sem necessidade de uma entidade viva que os controle ou pare repentinamente uma situação. Não tenho espontaneidade... Penso já não ser quem pensava ser em mim. 

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Basta

Basta! Estou farto! Estou farto de pensar de querer de partilhar de sonhar. Basta! Basta de hipocrisia. Basta de me cair no vazio. Basta! Basta de me sentir um rato preso numa roda e continuamente se mata a correr para, na realidade nunca do mesmo ponto sair. Estou farto de me sentir uma natureza morta... Pior  uma misera parede depois de anos a reerguer-se sozinha é deitada abaixo sem que seja sentido qualquer qualquer pesar de consciência... Isto assim não é viver... A isto chama-se sadismo... Roer a corda na pior altura... E continuar na vida como se nada se passasse... E o que eu faço? Triste idiota que procura castelos encantados nas nuvens de poeira incandescente... Cego-me deixando sentir o céu calor que me envolve as emoções, conquistando-me para somente me arrastar para a minha auto destruição... Masoquista... Sofro pelo prazer de sofrer visto que o fim  não se esconde nas brumas... O fim que eu bem conheço começa no inicio. Mas... Eu tolo... Continuo a acreditar em finais felizes... Em ser feliz... No fundo o que faço em cada paixão é simplesmente um suicido de tudo em mim.  

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Tóxico



Sou apenas mais um neste mundo da depressão...  Não... Eu considero-me um simples toxicodependente, legal e medicamente assistido com intenção de ser gente... Vivo o dia a dia em torno de comprimidos... Dependo deles para tudo. Dormir... Manter-me calmo não me sentir triste. Analisando a minha bula diária penso para comigo... Que ando eu a fazer? Sobre que papiro quebradiço vou desenrolando a minha vida... Assim sendo, passo a descrever...
Wellbutrin 300mg... Supostamente para me fazer sentir menos infeliz... Não me sinto melhor ou tão pouco sinto que o problema desapareceu... Convém dizer que comecei com uma toma de 150mg... Dobrou a dose e? Nada... Pelo menos, mesmo tomando, escrupulosamente este comprimido não notei qualquer alteração em mim... Alegram-me mais as conversas e os sms com alguém único, verdadeiramente electrizante, que demonstra condegir carregar tudo às costas com um sorriso de felicidade permanente... Por isso não vejo a necessidade deste comprimido branco com 300 mg sobre eles escrito, por uma qualquer maquina indiferente ao consumidor final... Não me encanta... O miserabilismo continua a manifestar a sua presença em mim, como se fosse cravado constantemente, sobre todo o meu corpo, um ferro cuja luminescência rubra do metal incandescente, jamais se apagasse.
Unilan 1mg... Tomado 3 vezes ao dia... O que posso dizer sobre um calmante... Que me acalma... Mas que pela prescrição acabaram-se as tomas em SOS... Que me vicia cada vez mais no bem estar que sei ser enganador... Que me envolve numa artificial cortina de de acalmia... Mas que me reduz a uma condição infra humana se me atraso na hora da toma ou altero a quantidade ingerida... Vejo claramente que a besta já  lançou as suas garras sobre a sua presa. Em pleno naufrágio procurei salvação agarrando-me a qualquer coisa.. No desespero tudo me servia na busca da superfície a qual via a afastar cada vez mais... A luz a desvanecer-se diante dos meus olhos... Agarrei-me a uma bóia que dissimulava uma ancora bem presa ao fundo da dependência humana... Uma amante irresistível, que com o seu olhar me encantou... Prendeu a si... Dizendo-me um simples "És Meu". Devora-me agora a seu belo prazer... Com ela estou  comprometido. Repenso a teoria... Trata-se mais de uma puta reles e cruel que se aproveita de alguém num inconsciente desespero para o roubar de qualquer ponta de dignidade humana. Horrenda mas forte, facilmente arrastou-me para o seu canto onde me violou de qualquer réstia de pensamento.
Ahh... Quando penso na entrega a estas maravilhas da ciência medica somente consigo pensar nas consequências.. Perda de visão, apetite, libido... Ansiedade nervoso que irremediavelmente acabam incrementar com do deslizar subil das horas em mim... Os tremores... As minhas mãos tremem quais  . Parece que não consigo escrever... Todas a coordenam fina parece ter sido anonimamente desligada. Penso nas hipótese de alguns dos meus neurónios tenham sido desligados... Mas por outro lado sinto constantemente o frio a mostrar-se presente. Não compreendo o cansaço e a hiperactividade... A irritabilidade... Todo eu mudei... E apenas foram necessários 3 comprimidos... Desconfio que no fim nem vou querer mais sentir-me em mim. 

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Espelho Oculto

Num dia já passado vi um mendigo que se arrastava entre as pessoas pedindo esmola... Reconheço que não sou muito apologista da esmola... Prefiro dar comida... Mas havia algo de honesto no seu arrastar... Talvez mesmo de soberano... Via-se na face o Fim... A solidão... O desespero de quem tudo perdeu... Uma face onde o orgulho morreu à muito abandonando aquele corpo entre a si próprio. Depositei o euro naquela mão que suja, suplicava e vi o sorriso enorme que se abriu numa face fortemente marcada de rugas profundas, que quais ferimentos ainda abertos pelas desventuras de uma vida mal vivida  ... Senti todo o meu corpo estremecer... Um mísero euro contra um sorriso de felicidade rasgado, esfomeado... Quase infantil... Sincero... Completo... O meu estremecer foi arrasador... Total... Vi, naquele acto simples um espelho oculto que revelou a minha realidade...  Revelado foi diante de meus olhos que eu próprio sou um mendigo... A esmola que eu peço sem o mostrar é simplesmente a felicidade. A felicidade de uma criança que brinca... A felicidade cúmplice que os casais, novos ou velhos, soltam indiferentes ao burburinho  mundo que ao lado lhes passa, somente eles existem... Eu mendigo pelas migalhas de algo que sei ser impossível receber... Mendigo por um sorriso... Reduzi-me a um mero ser pensante onde atravessado pela maior das verdades o maior mendigo sou eu. Eu,  na minha estupidez estendo a mão ao irreal em busca que na minha mão me seja dado em vão o que desejo... O meu outro reflexo afastou-se com uma subtil vénia e um mudo obrigado. Vi-o afastar-se vagarosamente, como o tempo nada fosse na sua vida, sempre pedindo, já esperado uma recusa... Vi-o  desaparecer, diluindo a sua existência no meio de quantas outras pessoas que, à sua maneira o devoraram na indiferença. 
Eu reconheci que as duas coisas mais importantes na vida são a saúde e a felicidade. São o yin e o yang numa forma simples... Uma não pode sem a outra saborear o que a vida nos pode dar... Continuei-me a questionar... Realmente quem é o maior mendigo... Quem pede esmola ou comida... Ou quem esmola por felicidade não a encontrando nas pequenas coisas... Limitei-me a ficar absorto nas minhas ideias e ideais...  Quieto, deixo-me devorar pela mais sombria das realidades. Que a minha demanda na vida se resume a uma busca derrotista da felicidade... Que simples e objectivamente vivo apenas da infelicidade que habita em mim.

sábado, 15 de outubro de 2011

Cumplicidade

Existe uma intensidade sincera de cumplicidade na solidão. O tempo ganha a verdadeira dimensão da ausência. A companhia do silêncio reivindica o que mais disperso e desconexo existe em mim. O que de mais puro. Meu ser e continuamente acometido de uma portabilidade transitiva. Mutação multipolar. Transformações constantes que combatem derrotadas pela sua permanecia em mim. Rio... Rios de divagações incoerentes que fustigam todas as ideias plantadas nas margens de quem já não sou mas vou sendo. Pinceladas de olhos cerrados que vulgarmente falhadas na tela que julgo pintar tomam as formas que procuro. A mediocridade da grandeza vil. Em tudo vejo a falha da nobreza épica do querer seguir sonhos que em mim se tornam pesadelos... Quereres ilegítimos... Enclausurados no infinito que se estende em mim

CS


Do nada, já distante mas imediato, surges iluminada de vida. Em teus braços abertos encontras forma de segurar a minha queda fatalmente descontrolada. Parei... Parei no teu abraço acolhedor, que apesar de longínquo, a sua proximidade teve um sabor etéreo. Todo o meu sentir, diz que a ti estou encostado, ficando protegido, imóvel, num vazio de luz por ti preenchido.  Aqueces meu ser, sem proferir uma única palavra, da frieza e melancolia com que meu espírito estava tingindo. Olhas-me nos olhos... profundamente... reconheces a minha dor.. mas sorris... não consigo deixar de vaguear entre o teu sorriso e o teu olhar... estás aqui... concentrando a minha visão vejo o quanto sorris... mas abertamente, como quem na noite encontra uma luz perdida, esmorecida... Sinto uma queda abrupta da ansiedade permanente. Uma calmaria na tempestade que meu corpo já fustigado, por um caos de sensações que à deriva andou no interior da sua própria ausência.. Ficamos parados cúmplices de uma saudade que lamenta ser longa... Abro os olhos em pleno para a realidade... vamos trocando mensagens... dizes para eu levantar o queixo já... obedeço à ordem preocupada... sinto um pouco mais de Paz. fico preso uma frase..."vou ter de te dar um safanão?" palavras onde se saboreia a preocupação enorme por quem me quer bem.
Relembro de como nos conhecemos...  A boca do pullover cor de rosa que com olhar malandro envias para toda a sala. Olho com espanto, ouvindo "que nem todos os homens sabem usar essa côr". Mas no instante seguinte revejo a realidade, o sentir da perda, da tristeza, da impotência de nada poder fazer... A raiva da injustiça... da impossibilidade castrante... Mas de uma forma mais calma... Telefonas inesperadamente.. irradias positividade. Acalmo novamente. A noite chega continuamos a falar virtualmente... As palavras desenrolam-se  umas atrás das outras, desfilando perante nós sem rumo, desafiam o pensamento... frenéticas... intensas... descrevemos um filme possível criado de fantasia e emoção, o enredo, o local, a música o final feliz.... Descreves-me um pôr do sol, imagino a luminosidade laranja do sol a esconder-se, a mostrar a ultima faixa do seu saber milenar... descreves com tal pormenor que sinto o odor das velas, vejo as sombras contra a parede.. saboreio o vinho no meio de uma gargalhada tua. Lá fora o firmamento desenha um padrão de estrelas assimétricas mas onde consigo ver formas.. arrepio-me. Dou comigo a sorrir.. A sorrir com um tom celeste, elevado, puro... imenso... não consigo parar de sorrir... Dou comigo a pensar à quanto tempo não sorria com essa pureza estando só, cheguei à conclusão que estavas a meu lado... falas sobre os teus problemas sem pudor... descreves-me pormenores íntimos que inimagináveis são... tenho um flash back de uma sucessão do teu sentir. da tua força, positividade, magnetismo, imensidão de alma, intensidade... rendo-me num sorriso ainda mais forte. Explicas que está nas nossas mãos traçar o nosso rumo... fazes uma analogia a uma pirâmide onde todos os lados têm uma cor diferente um caminho diferente e que somente nos temos de mover até encontarmos o caminho que mais nos conforta. Alteras o meu signo... com base na data de nascimento. descreves todas as características, em todas acertando... Despes o meu ser até ao mais profundo do sua essência. Sorrio... Não havendo coincidências demonstras que as fazes acontecer... fica na minha ideia que podias ir mais longe... Referes "Eu sou uma bruxinha"...

Dizes que vais para a meditação... Aceito e respeito a tua decisão... acredito na importância de tudo o que sentimos com o nosso coração, mas a sinceridade indica-me que continuaria a falar a noite toda. 
Paramos, sinto-me renascido, purificado... e continuo rendido de admiração pela coragem, entrega, magnetismo, luz... Perco as palavras... Porque sem elas fiquei de admiração. Deito-me na cama revejo alguns temas... faço um sorriso maior perante a "bruxinha do bom olhado"... e da "empatia espontânea", apenas consigo sentir paz interior e felicidade, como se por magia tudo de mau tivesse sido tirado de mim. Com um sorriso plantado na minha face adormeço feliz embalado pela tua luz interior.

PS: A Um Sorriso que me ilumina a tristeza!

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Escutar

Diz quem sabe, que a verdadeira musica, erudita de seu nome, deve ser escutada na impressão deixada em discos de vinil, tocados num bom gira discos ligado  a um amplificador a válvulas... Pelo simples motivo do ruido... Sim... A entropia é essencial para se conseguir escutar algo na sua mais pura forma... Sem filtros, sem digitalizações, sem serem mascaradas ou pintadas... Vestidas a preceito para enganarem ou dissimularem algo. Penso... Não acredito que eu escuto a minha alma assim mesmo, ruidosa... ruinosa... Violenta... Cristalinamente opaca e rachada, meio de tudo o que vai caindo, vagarosamente em fragmentos que quero olvidar em mim. 

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Estranha Forma de Vida

Tenho de reconhecer a necessidade de descanso. A exaustão anda a corroer-me o pouco que de mim sobra...  Bem vindos os calmantes e os comprimidos para dormir... Em dose cavalar cheguei a tomar 3mg de calmantes... Senti-me descoordenado... estranho... literalmente o controlo da cintura para baixo estava desconexo... Mas agora que reduzi para metade sinto-me mais nervoso e ansioso... mas pelo menos consigo dormir... Apagar... Porque Não e fácil percorrermos o vazio que nos inclui na imensidão plena da solidão. Desperto, o ardor calorifico da incandescência do filamento do pensamento assume o seu rubor. De uma forma invasiva queima-me... Adormece-me... Ilumina todos os meus sentidos numa explosão pirotécnia concentrada. O negrume da minha escuridao sente-se impotente para travar a ofensiva intempestiva de tal adversário. Tudo em mim sob o juízo de mim é jogado no meu espírito. Mas numa fatalidade aparentemente premeditada o meu corpo clama por um descanso contraditório. O dialogo esta lançado. Ambos os contendores esgrimam os seus argumentos nitidamente válidos. A lógica pura da realidade neuronal que me pede para parar. Por outro lado a emotividade... consome-me na sua vontade... Estou nitidamente em guerra aberta comigo próprio pelo que sobeja de uma alma a definhar... Agora apenas me questiono sobre o que restará de mim...

Agitação Áspera


Despertei para um dia revoltado, nubloso, pleno de turbulência. Como se hoje vivesse o destilar da raiva contida que me neguei durante anos tivesse finalmente desfeito o envase que a continha. Sinto uma urgência atroz em explodir. Fervilho. Sinto-me na fronteira da implosão total e pura. Em mim falta o espaço físico vital para conter as neblinas da raiva que investem em golfadas densas a minha estabilidade. Tudo me parece rigorosamente circunstancial. Casual... Hipoteticamente factual. A indiferença da realidade básica e primaria esfumou-se desintegrada em divergências incontornáveis. A clarividência da calma está passada, somente existe escrita em mim na agitação áspera de uma inquietação medieval. 

Acabou o desengano. As respostas ausentes desenhadas no silêncio às questões que em meu peito soam mais pertinentes. A ilusão morreu. A esperança jaz moribunda algures no vazio do meu ser que já não me habita.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

(....)

I'm (looking for) a lost dream reflected in a stream...

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Takes two to Tango




Sinto-me numa espécie de tango lento que se arrasta à espera que a música acabe. A música desafinada de cada instrumento, concorre com a falha constante no acerto dos passos tristes e distantes que pronunciam a ausência de futuro. Quedo e caldado ao sabor da ansiedade e insatisfação. Não quero ver o fim da dança mas ela está omnipresente em cada caminar, giro, Contragiro ou gancho.Cada uma das figuras marca mais um passo para o terminar definitivo da dança sem regresso à mágia deste tango.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Ambicionar

Contemplando o recorte da serra esbatido no cinzento céu, não consigo deixar de pensar nas pequenas coisas que ambiciono esquecer.